PARTE 1
Era verão. Seco e quente. A cidade de Bram via uma incomum migração de pessoas e soldados que trazia notícias estranhas e perturbadoras sobre os baronatos a leste. Um ataque estava acontecendo e ninguém sabia dizer quem atacava e o povo já fazia de seus palpites verdades que espalhavam por todos os lados sobre que baronato atacou qual e quem saiu perdendo. Mas verdade mesmo pouco havia ou nenhuma nos rumores, a não ser é claro, que havia guerra no leste.
Kassid estava em Bram há algumas semanas se apresentando na praça com seu malabarismo flamejante quando presenciou uma remeça de soldados feridos e viajantes que chegaram na cidade anunciando a proximidade do ataque. A cidade foi mobilizada pois os atacantes se dirigiam para Bram, confirmou o mensageiro e soldado encarregado para o prefeito. As providências foram rápidas e muitos deixaram até o fim da tarde a cidade em busca de proteção no Castelo Wolfheart enquanto os que ficaram fecharam as entradas da cidade e as reforçaram. Kassid percebeu que nenhuma providência fora tomada para avisar as fazendas que estavam no caminho do ataque e decidiu por si só fazer essa boa ação e passou a tarde inteira correndo de uma fazenda a outra alertando os fazendeiros que se mostraram resistentes em acreditar no forasteiro.
A noite ele se encontrava abrigado em uma fazenda dormindo em seu celeiro junto com porcos e cavalos quando foi acordado pelos sons do ataque. Ele correu para fora e viu a casa pegando fogo, animais correndo para todos os lados e gritos de desespero. De detrás do celeiro no qual se abrigou ele procurou com o olhar a origem desse grito e viu uma casa uns cem passos de onde se encontrava cuja porta fora arrombada uma vil criatura abrir a barriga de um homem desarmado com uma espada e então gargalhar de seu feito enquanto outros iguais a ele arrastava uma desesperada mulher para fora da casa que se debatia e gritava enquanto tinha seu vestido rasgado. As criaturas eram pouco mais altas do que um homem e da aparência só podia ver o contorno pois era noite o a luz do incêndio transformava tudo em indistinguiveis borrões, tinha uma aparência monstruosa, com uma boca grande e presas assim como um olhar tão tenebroso que brilhava vermelho quando a luz refletia nele assim como acontece com as feras e outras criaturas noturnas que devem ser temidas.
Ele então abriu a porta do celeiro para os animais fugirem e descobriu uma garotinha de 10 anos vestida com roupas de criadagem. Convenceu a criança a subir em um cavalo, montou nele e partiu em disparada com o coração sainda pela garganta para o portão que dava acesso a trilha que levaria para a cidade de Bram. Atravessando o pátio chamou a atenção dos atacantes mas eles não foram capazes de alcançá-lo. Na trilha para cidade eles atropelaram um garotinho, filho do dono a fazenda, de nove anos que ele levou também e que desde o primeiro momento passou a implicar com a jovem companheira dando-lhe ordens como se ela devesse lhe servir. Eles já se conheciam.
Chegando à cidade Kassid procurou o encarregado pela proteção da cidade para lhes dar as notícias da proximidade do ataque enquanto as crianças ficavam na praça. Ele visita a taverna em busca de informações e de algumas provisões para viagem pois decide ir para o castelo Wolfheart. A jovem filha do taverneiro que não pretende abandonar a cidade pensa diferente do pai e planeja partir com Kassid.
Nisso Boris se encontrava vivendo na floresta atrás da montanha próxima de Bram e durante uma de suas caçadas ele conseguiu ver um grande exército seguindo pela estrada principal em direção à cidade e várias fazendas por onde esse exercito passou se encontrava em chamas. Ele foi até Bram para verificar que os moradores da cidade já estavam preparados ou não. Eles estavam e a cidade se encontrava bastante vazia. Boris então decidiu voltar para sua floresta.
Durante o caminho de volta, já fora do alcance de olhos e ouvidos alheios, longe o suficiente para ver uma grande porção da estrada e da cidade ele presenciou o ataque a cidade que aconteceu ao entardecer. Longe demais para ser visto e enxergar com precisão mas perto demais para escutar os sons da batalha. A cidade resistiu por pouco tempo até que algum dos invasores tocou um berrante. Em seguida todos escutaram os sons bestiais que responderam ao berrante e todos que estavam do lado de fora deram passagem para duas monstruosas e enormes criaturas nunca antes vistas por ali. Todos os defensores tremeram de medo e pavor e muitos se imobilizaram sem conseguir reagir. Enquanto isso as bestas, duas vezes mais altar que grandes cavalos golpearam o portão em carga. Corriam, batiam, recuavam, batiam novamente. Uma, duas, três vezes até que o portão cedeu e os invasores finalmente entraram. A maioria dos soldados morreram em terror com uma lâmina abrindo seu corpo ou pisoteado ou foram torturados e até mesmo, coisa hedionda, alguns foram devorados pelos invasores. Os invasores que se dividiam em dois grupos distntos, pelo menos que os habitantes conseguiram distinguir, um mais alto que um homem adulto e mais robusto, enquanto o outro menor e vigoroso, ganharam os nomes dos pesadelos de todos os moradores daquele baronato e dos outros que dividiam uma origem em comum: Ogros e Orcs. Mas disso nada sabia Bóris que estava longe demais para perceber esses detalhes.
Quando chegou na cidade de novo Bóris encontrou o portão lateral destruído, as ruas vazias porém cobertas com os sinais da batalha, com as pegadas estranhas, sangue e corpos. E ainda podia escutar gritos e gargalhadas, vozes implorando, gemendo, gritando e chorando. E coisas ainda pior. Bóris queria ver de perto o que aconteceu e quem eram os inimigos então se esgueirou pelas ruas se ocultando nas sombras daquela noite. Viu muitos mortos, presenciou brincadeiras covardes realizadas pelas criaturas que nunca antes havia visto. Viu montes de corpos e viu que os monstros ainda perseguiam sobreviventes para lhes mostrar seu destino. Nisso, se ocultando dentro de uma casa abandonada encontrou um grupo de cinco jovens que ali se escondiam. Três homens, duas mulheres, nenhum deles há muito tempo adultos, enquanto três ainda pouco mais do que crianças. Aquiescendo ao pedido de ajuda deles decidiu leva-los para fora da cidade. Eles todos se esgueiraram de volta pelas ruas mas, quando a saída se encontrava perto, eles foram avistados por uma patrulha de três monstros, dois menores e um maior. Eles riam, e babavam já contando com o lucro e diversão ali encontrado. Falavam com sotaque carregado a lingua local e falavam outra gultural e desagradável entre eles. Bóris mandou os jovens correrem sem olharem para trás e o esperarem na floresta ao pé da montanha e quando as criaturas se puseram a correr ele entrou na frente se mantendo entre os seus protegidos e os monstros. Os monstros por sua vez viram um homem solitário e desarmado em seu caminho como menos que um obstáculo para sua presa e mal detiveram o passo para atacá-lo. Mas então Bóris deixou seu corpo se transformar ao sabor da lua e se tornou menos homem e mais fera, meio humano e meio lobo. Os dois que o alcançaram primeiro morreram sob suas presas garras e fúria. O terceiro que havia ficado mais atrás conseguiu escapar dele. Então berrou um uivo pavoroso na noite antes de correr para a floresta.
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